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Arquivo do mês: dezembro 2011

Uma agenda para minha filha.

Bem, mais uma vez frente ao computador para encerrar o ano.

2011 se foi e muita coisa aconteceu na vida das pessoas. E, como sempre, volta na memória a idéia de se fazer uma retrospectiva, coisa que não vou fazer hoje. Pensei em escrever para dar sentido na vida e constatar que o tempo não passou em vão.

Na primeira reunião de trabalho ganhamos agendas e recomendações para anotarmos as datas importantes, os compromissos. Afinal, é o que fazemos quando temos um caderno de notas, com datas separadas pelos dias da semana e os horários para agendamento.

Cultivei o hábito de anotar minhas atividades diárias usando os horários correspondentes e ao final de um dia, olhava aquela folha preenchida e isso me dava certa satisfação, o sentimento de ter feito algo útil; o tempo não havia passado em vão.

É uma questão de prática. Preenchi muitas terças-feiras; esperei com certa ansiedade as sextas-feiras para fazer o fechamento semanal. Às segundas-feiras, rapidamente anotava, ainda que em breves palavras, os fatos dos finais de semana. Depois, era duro preencher uma segunda-feira! Talvez por ser início de semana… Fiz questão de deixar os feriados em branco.

Embora sabendo que ao final do ano teria um livro de 365 páginas, imaginava como seria esse manuscrito. Ao revê-lo nesse instante, tenho um vislumbre do ano que passou. E o que vejo são pequenos flashes, das alegrias, tristezas, ansiedades, anotações de consultas médicas, anotações de compromissos financeiros que deviam ser inadiáveis e que foram adiados para uns dias depois…

Uma agenda é muito útil. Sejam elas compradas ou presenteadas. Quando “ganhadas” além de serem muito comemoradas, deviam ser usadas também. Por vezes, são tão bonitas que dá dó de usar, mas penso naquela folha pautada implorando para ser preenchida. Não resisto. É uma tentação, escrevo mesmo. Só assim, penso eu, o livreto cumpre sua missão de maneira integral: registrar os fatos e idéias para serem relembrados mais tarde.

Dias atrás vi uma agenda do ano passado totalmente em branco. Desperdício.Ninguém usa uma “agenda do ano passado”, nem mesmo para anotar recados, e o medo de errar uma data? Não vale o risco, e seja como for, é como pensar que, o que passou, passou. Mas, passou em branco? De novo, desperdício.

Estive pensando também no fato de que em todo final de ano, surge a vontade engraçada de se comprar os tais livros de anotações diárias (pelo menos deveriam ser). As livrarias e papelarias se abarrotam com um sem número de opções de formas, tamanhos e valores. São coloridas, com elásticos ou sem elásticos, de capas duras ou flexíveis. Ah, nacionais e importadas também.

Mas, na maioria das vezes o que empaca a compra do livrinho – que vai te acompanhar o ano inteiro – é a divisão do final de semana, porque o sábado e domingo tem que vir em uma folha só, hein? Tudo bem, em algumas o fim de semana vem separadinho, o chato é que essas são mais caras. Final de semana com cara de dia inteiro é mais caro mesmo?

Creio que as pessoas curtem o ir e vir. Gostam de folhear os dias ainda em branco. Percebo que gostamos disso, desse frio na barriga que acompanha a aquisição ou o presentear de uma agenda. A expectativa pelo Ano Novo.

Comprando ou ganhando, não importa.

Preencha um dia de cada vez, pois é um exercício que demanda paciência. A colheita do próximo ano será uma rica coletânea de impressões muito úteis para avaliação futura.

Prefira o charme das anotações em papel (pensa numa Moleskine), a lápis se possível, pois dá para apagar e corrigir. Se for caneta: esferográfica. Podendo, uma tinteiro, por favor!

Falo isso porque lembrei das agendas eletrônicas, além de serem caras e enfiadas dentro dos celulares e computadores, quando falta luz, você fica na mão, além dos teclados minúsculos e o fato de não poder anotar dentro do avião. Pensando nos prós e contras, use um despertador dos antigos, daqueles de dar corda, dessa forma não vai sofrer com a falta de bateria.

Costumes bons e antigos devem ser preservados. Os brechós são prova disso, quanta coisa antiga que a gente encontra lá, não?

Então, não esqueça, anote aí na agenda. Faça desse diário um amigo.

Com amor,

Seu pai.

  (idéia anotada na agenda, agora virou um fato!)

 
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Publicado por em 31 de dezembro de 2011 em Uncategorized

 

Um dia para não esquecer.

Mais um dia difícil.

O despertador tocara e novamente vieram à tona os sentimentos de frustração e cansaço.

A esposa, de pé logo ao primeiro toque, fez o café como de costume, por causa dos remédios. Voltou para dormir. Invejável sono.

A frustração tomava conta, não deixava levantar. Tudo parecia uma dificuldade imensa: os pés pesados e doloridos, vista embaçada e as dores nas articulações.

Precisava sair em busca do sustento diário. No início de cada mês, o tormento de saber que o dinheiro mal daria para pagar o aluguel. Enfim, começara mais um dia que se anunciava podre em sua essência. Rotina.

O café sem açúcar ajudava a espantar o sono, fatias de pão com margarina encerravam o café da manhã. Aos suspiros, arrumou as coisas na mochila, e saiu porta afora absorto em pensamentos diversos.

Durante o caminho até o trabalho, a mente fazia viagens ao mundo dos sonhos. O que podia fazer de diferente para que a vida fizesse um mínimo de sentido? Nada! E, esse era o pensamento recorrente. Nem mesmo uma sombra estava fora do lugar.

Preso a si mesmo, fazia o trajeto sem perceber. Certo dia acordou de um transe e se viu frente ao portão do escritório apertando a campainha – havia feito todo o caminho de maneira inconsciente, o corpo estava ali, mas a alma vagueava e estava longe. Lembrou do zumbi. Como é que os mortos vivos se comportariam na luz do sol? Detalhe besta… Pelos filmes, os malditos só andam de noite. Outra idéia lhe ocorreu – como seria um filme de horror em pleno dia com aquele sangue todo jorrando na claridade… Seria muito sem graça.

Chegar cedo ao local de trabalho tinha suas compensações, e uma delas era não encontrar as pessoas. Não que tivesse fobia delas, mas se sentia melhor assim. A solidão se fazia companheira; enquanto acordado e no trabalho, ajudava-o não fazendo pressões como os seres humanos fazem nos momentos iniciais do dia.

O tempo continuava a correr e os outros foram chegando. Quase hora de iniciar o expediente. A companheira vai embora e cede espaço aos ruídos da normalidade que já ditavam o pique rotineiro de mais uma jornada de trabalho.

Suspiros, a falta de inspiração e mais vazio. Uma frustração crescente. Doía. O que fazer para mudar?

Por àquela hora da manhã, veio uma dor no peito. Seriam gases? Quis arrotar, mas não conseguiu. Nesse instante, sentiu que a mente almejava uma vida que podia ser melhor.

Começava o redemoinho de idéias, e um rolo de filme descortinou-se frente aos seus olhos. Reconheceu na hora a fita de sua vida sem sentido. Nesse flash-back, reviveu todos os momentos em que podia ter decidido uma mudança e não o fez.

Entendeu então que não mais poderia virar as velas da vida rumo a um destino melhor. Era tarde e doía muito. Se arrependimento matasse – pensava. E estava matando mesmo.

Bateu um sono esquisito. Queria manter-se acordado, mas um sussurro estranho lhe murmurou algo sobre a mesa desarrumada e a pilha de papéis que teimava em crescer. Um interminável martírio. Rendeu-se aos argumentos e a rotina.

A sonolência evoluiu e transformou-se numa dor lancinante. Dor que colocava fim na agonia; a caneca com café que segurava, caiu de suas mãos. O líquido negro e quente espalhou-se manchando os papéis confusos sobre a mesa.

Pronto. Chegara o fim.

O corpo debruçado e a correria do pessoal do escritório indicavam que estava morto. Infarto.

 
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Publicado por em 9 de dezembro de 2011 em Uncategorized

 
 
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