Vi uma mensagem sobre o ano novo. Estava estampada em um banner e foi de relance, mas me intrigou na hora. Não que fosse incomum, pelo contrário, dizia: “Faça deste o ano o melhor da sua vida.”
Foi o bastante para acordar meus neurônios àquela hora do dia indo para o trabalho.
Refletindo naqueles segundos seguintes, decidi que quero fazer “os melhores anos da minha vida”, pois só assim não haverá tempo para arrependimentos. Com tantos “anos bons”, penso que minha única dificuldade será arranjar tempo para curtir as lembranças. Sendo assim, não perderei tempo chorando apenas um único ano bom que não vai voltar mais.
Quero também os muitos meios de pensar, deixando a mente aberta e pronta para aprender. Quero aprender com a simplicidade que rapidamente se reproduz em muitas possibilidades. O que era único passa a ser plural e abrangente.
Acabei por entender que algumas coisas precisam ser singulares, únicas. Outras, claro, o oposto.
O que penso que precisa ser singular?
Deus. Nem precisa falar muito, existe um só. Ele governa tudo e nada é por acaso. Quanto maior meu relacionamento com Ele, mais vou entendê-lo em sua vontade soberana. Buscar a Deus continuamente pela oração e pela leitura de sua palavra, a bíblia. É ali que Ele se revela.
Vida. Dar contas de uma existência só já vai ser intenso e para quê aumentar a prestação de contas mais que o necessário? É preciso evitar o stress.
Entendi já de algum tempo que não é preciso viver muitas vidas para ser feliz e melhor. A oportunidade de passar por esta terra somente uma vez, leva (ou pelo menos deveria levar) ao desejo de aproveitar cada momento que é apresentado um após o outro, construindo a realidade que chamamos de vida. É preciso ter noção da importância de acordar todo dia com um propósito novo ou ter a plena certeza de estar no caminho certo.
Amor. O segredo, definitivamente está na conquista diária. “Amor, verbo intransitivo”, é um livro que nunca li, nem mesmo sei o autor, o que chamou a atenção foi seu título. Amar implica em aceitar. A chave está em surpreender diariamente a mesma pessoa todos os dias e se constitui no maior remédio contra a rotina tediosa que ronda as pessoas e os relacionamentos.
Família. Todo mundo tem uma. Boa ou ruim, sempre se deseja o colo de uma mãe, o conselho de um pai, a convivência dos irmãos ou mesmo a casa da vovó para visitar, embora não seja sempre possível reunir tudo isso simultaneamente. Viver com essas opções é muito bom, pois, proporciona um calorzinho reconfortante no coração.
Trabalho. Além de produzir sustento, tem que proporcionar prazer. Se não estiver acontecendo isso, reflita e procure rever a maneira de encarar o trabalho. Sem ele, fica difícil pagar contas ou realizar os desejos do coração.
Amigos. Não precisam e nem devem ser muitos. Nesse caso, embora parecendo uma escolha plural, um amigo precisa ser único em seu caráter e fidelidade. O verdadeiro, é aquele que te vê chorar e não conta para ninguém. Geralmente, ele divide o sanduíche e diz que está satisfeito com a menor parte. Seu principal argumento é: Pode comer, estou de dieta. O mais engraçado é que a gente acredita nisso. Já foi com um amigo ou amiga ao cinema? Na hora de pedir a pipoca, com certeza vai ser uma porção grande, mas, vai ser pipoca para dois! Aproveite a lembrança desses momentos, vão alegrar o coração quando estiver longe do convívio dessa gente.
O que deve ser plural? Eis o que penso sobre o assunto.
Experiências de vida. Ler um livro é ver o mundo pelos olhos de outra pessoa. Ver o autor e conseguir o autógrafo dele no livro comprado na Bienal de São Paulo é no mínimo, o máximo… Viajar por conta própria ou em grupo sempre conta. Anotar um diário de viagem é uma caminhada mística pelas emoções. Viver o que leituras, viagens e conversas com as pessoas proporcionam, não tem preço. Experimentar é um verbo que indica crescimento e, crescer faz parte da vida.
Bondade. A realidade que vivemos não dá muito espaço para a beneficência. Mas, é preciso olhar com outros olhos e quando possível, estender a mão, abrir um sorriso, tirar do guarda roupas os agasalhos que não servem mais, comprar uma rifa de uma criança, ajudar alguém atravessar uma rua. Talvez até tirar o gato que subiu na árvore, com certeza a velhinha vai te agradecer (se preferir chame os bombeiros).
Escolhas. Serão muitas no decorrer da vida. Nunca deixe de fazer uma opção. É preferível percorrer um caminho e corrigir o rumo do que nunca ir a lugar algum. A frustração por não decidir é um sentimento horrível, amarga a alma e estraga as pessoas.
Aniversários. Comer bolo e salgadinhos? Tentar adivinhar o refrigerante que é servido no copinho descartável? Ganhar presentes? Nem se fala… Além de reunir em casa ou na pizzaria do bairro as pessoas que nos querem bem, é um dia telefônico! Imagine as ligações e as mensagens de texto apitando no celular durante o dia todo. Sem dúvida é uma sensação muito boa e se o sentimento é de carinho sincero, vale à pena repetir no ano que vem. Soprar velinhas é legal, o problema é que elas aumentam a cada ano. Se precisar, chame reforço. Não conheço um ser humano, especialmente uma criança, que não goste de assoprá-las só pelo simples prazer de apagá-las e vê-las acender novamente. Quanto às velas numeradas, cuidado com as inversões. As fotos que tiramos desse momento costumam revelar o tanto que caminhamos. Prefira os pavios decorados (embora demorem a acender). Detalhe: nunca deixe de comemorar. Comemore o fato de estar vivo.
Sonhos. Nunca deixe de sonhar. Vários autores já disseram isso de maneira diversa e controversa. Na verdade, não importa. Sonhe. O fato de sonhar já é uma parte do caminho da realização. Claro que dá trabalho realizar os sonhos, mas o interessante é que ganhamos muito quando nos aplicamos para dar forma ao que parecia etéreo e disforme. O bom de um sonho é que ele se realiza.
Expectativas. Nunca é uma palavra que indica tempo – tempo demais… Tire-a de seu vocabulário e prefira pensar e dizer: vai chegar a hora… E, nesse caso, esteja a postos para quando o seu momento chegar.
Muito mais poderia ser escrito a respeito. Concordo com isso. E tenho até a sensação de que devia organizar as idéias alfabeticamente. Mas, porque motivo deveria ser assim? A vida é um carrossel de emoções e um pouco do folhear no dicionário da vida não fará mal a ninguém. Perdoem-me os organizados, essa pequena desordem é fundamental para que a mente se exercite.
Tenho algumas considerações a respeito dos próximos anos que espero viver. A primeira delas é que, se Deus permitir, quero continuar trabalhando enquanto tiver forças. O futuro não morde a quem trabalha. A segunda, é que os anos chegam à razão de um dia por vez. Portanto, não adianta correr e estressar.
Finalmente, viver hoje como se fosse o último dia. Só assim se percebe o valor do dom da vida.
Comecei agora e não me arrependo.
Seja hoje também o seu dia de começar os melhores anos de sua vida.
Com amor,
Seu pai.
